domingo, 27 de novembro de 2011

Boates

1
Esperava que acontecesse.
Continuou esperando.
Outros dois não esperaram e fizeram. O primeiro fez e aconteceu. O segundo não teve a mesma sorte. Continuaram não esperando. Sonhavam apenas.
2
Se aproximaram e ficaram de boca aberta, aguardando, um do outro, o próximo passo. Cansaram seus maxilares e não tiveram força para se beijar. Se afastaram, se afastaram mais e desapareceram um para outro. E nunca mais se encontrariam, na multidão, ou na rua.
3
O primeiro vibrou todo de alegria com a chegada do segundo. Mas um terceiro os olhou e o primeiro não sabia se ele o queria ou se queria o outro. E se o terceiro ficaria triste vendo-o beijar o segundo.
Vendo isso, o segundo entendeu que o primeiro queria mesmo o terceiro. Mas percebeu que o terceiro não queria o primeiro. Seduziu o terceiro, e dançou livre com quem quisesse dançar.
O terceiro desejava o primeiro. Mas não quis atrapalhar, ou se sentiu ferido ao ver o segundo, afinal havia sido convidado pelo primeiro, ora essa. Mas cedeu aos olhares do segundo.
O primeiro se interpôs entre os dois. Sua tristeza não deixaria ninguém ser feliz sem ele.
O segundo foi embora e só se despediu do terceiro.
O primeiro não olhava mas queria dizer coisas com o olhar.
O terceiro olhava fixo mas não queria dizer absolutamente nada que não fosse verdade.
Havia um quarto.

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