Contrário à imagem do desejo. A sua imagem, a nossa imagem, é a lembrança da minha carne, para além de minha memória restrita – é a memória que me escapa. Para além do meu raciocínio, para além de meu centro e de minha vontade de indivíduo. A memória de uma necessidade que ultrapassa meus territórios, minha constituição de coisas que tem história. A necessidade do eu terra, a necessidade de cada substância minha, aquilo que move energiza minha moléculas, o choque que elas levaram a fazendo mover-me para isto: eu.
Nossa distância é a apenas o ar que nos une. Estamos unidos pela nossa distância. Posso chamar distância de amor. Uma forma da amor é essa: estendê-lo pelas estradas.
Palavras bem escolhidas e fotografias de uma vida que eu não conheço. Mas desconfio e farejo.
Uma gaveta aberta no meu peito. Meu peito se abre mas não cai no chão. Está vazio e aberto esperando que sua mão entre e mexa dentro. Sua mão apertando meu órgãos. Te dou meu coração. Aperá-lo pode ser como segurar um passarinho. Meus pulmões delicados sentirão cócegas. E também os ossos eu ofereço, minhas costelas para morder, lamber, chupar.
O seu corpo é feito de areia. Deito-me sobre ele e deixo a onda bater. O seu peito é areia molhada da beira. É noite. Não precebo seu corpo consistente de areia de beira se desfazendo, levado e trazido pelas ondas. amanhece e seu corpo é o mesmo, o molde idêntico, mas necessariamente outro, formado por outros grãos. Isto lhe dá a leve impressão de tempo passando.
"Estamos unidos pela nossa distância" é um paradoxo que deixa feliz quem lê!
ResponderExcluirO resto é de uma antropofagia urgente, mas num tempo que vai simplesmente passando.
Lindo!